quinta-feira, outubro 28, 2004

POESIAS III

Não gosto de finais...

Não gosto de inícios....

Gosto do que fica entre...

(Estou cansada de andar a iludir-me. Estou cansada que me iludam).

Será que é possível o amor?


SEPULCRO DE SONHOS

No silêncio dos risos que calaste
Será possível pensar que acabou
O que nem sequer se começou
Subsistindo na ilusão que criaste

Será legítimo dizer que mudaste
Se apenas soube ser a que sobrevoou
E nunca aquela que desvendou
O enigma da tua mente-contraste?

Por vezes, muitas vezes… Quantas…
Muitas vezes, demasiadas… Tantas…
O que quis de ti me foi negado

Ficaram os fantasmas no lugar
Dos sonhos que não foram a enterrar
A minha vida é um local assombrado…

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quinta-feira, outubro 21, 2004

Quedas

Começo o dia aos trambolhões. Acabo no final com os joelhos todos esfolados e com um bom par de negras em cada um... Enfim... Lá me arrastei até ao emprego, a cada passo que dava sentindo uma dor aguda (e eu que me considero imune à dor, verifiquei que sou apenas humana). O mais engraçado foi a que cada passo me fui acostumando com a dor... Quando cá cheguei, ardia-me o joelho, mas estava como que anestesiado, de modo que sabia que tinha conseguido chegar ao meu destino, quando só me apetecia parar e chorar...
Também é assim com o meu coração...
Quantas quedas já dei... Tantas... Quantas...
Algumas em queda livre, aquando das minhas tropelias no trapézio do amor. Da última vez pensei que estarias lá para me amparar na queda, mas como poderias? ...Se foste tu que provocaste a queda?... Os mais sensatos discordarão de mim, dirão que os números de acrobacia são arriscados... Mas são tão belos.... Uma pirueta, um duplo mortal, um voltear aéreo que fascina quem o observa, quem o sente. O amor é mesmo um acto sem rede. é uma incerteza, um número misto de perícia e de magia... E no final, caímos, levantamo-nos, sacudimos o pó e sorrimos ao público.

Eu sobrevivi à minha queda de hoje. Apenas tenho de aprender a ser menos trapalhona e a não estar sempre a olhar para o céu. Talvez hoje à noite chore sozinha, mas agora não. Agora ponho o meu ar neutro, de que nada me afecta e tento caminhar o mais dignamente possível, para que ninguém repare que estou magoada e tenham pena de mim *
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terça-feira, outubro 19, 2004

Outono...

Eu adoro o Outono. (Ainda bem que chegaste, já tinha saudades tuas...).
O Outono é a minha estação do ano preferida. Adoro ficar a observar a chuva a cair lá fora. Adoro a atmosfera melancólica, o vento nas árvores... No silêncio (é forçoso haver silêncio no Outono), penso em como estas são fortes. Vergam ao vento, mas não quebram. E lá ficam elas com as folhas ao vento, com as folhas molhadas, no seu verde imenso... A agitarem-se, quem sabe a reclamar (pois que as árvores não falam - ou falarão?), mas de pé. Solidamente de pé, na sua dignidade, na sua majestade, bem direitas.
Agora, no parque infantil em frente à minha janela, já não brincam as crianças do ATL aqui do prédio da esquina... Recordo-me que quando andava na escola, ficava quase sempre na mesa junto à parede onde estava a janela. E lá ficava eu longos períodos de tempo a observar o mundo cá fora. O meu espírito raramente estava na sala de aula, embora desse a ilusão a todos que lá estava. Sempre tive dificuldade em concentrar-me em algo. Quando estou nalgum local, a maioria das vezes estou a pensar em estar noutro lado. Diferente... Basta ser diferente. Por vezes nem melhor é, é apenas diferente. Gostava de voar nas asas do tempo. Gostava de ser o próprio vento... Nesses dias em que a professora falava dos números reais e dos números imaginários, eu estava no meu mundo imaginário... "Mas sim , sra. professora, claro que posso resolver esse problema no quadro. É sobre números imaginários, não é?...". E eu no meu número imaginário (a sonhar, a voar, no meu mundo de magia, de fantasia, com muitos truques na manga para fugir à monotonia dos dias sempre iguais)...

Mas nós mudamos. Por vezes ainda gosto de ser esse vento, aquele que abana as folhas da árvore... Mas há dias em que quero ser a árvore. A que tem as raízes bem presas ao chão onde o destino a colocou.

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sexta-feira, outubro 15, 2004

Musicalidades

Adoro esta música!
É fantástica! (Pena não se poder ouvir...)

If you wanna be my friend
If you wanna be my friend
You want us to get along
Please do not expect me to
Wrap it up and keep it there
The observation I am doing could
Easily be understood
As cynical demeanour
But one of us misread...

And what do you know
It happened again

A friend is not a means
You utilize to get somewhere
Somehow I didn't notice
friendship is an end

What do you know
It happened again

How come no-one told me
All throughout history
The loneliest people
Were the ones who always spoke the truth
The ones who made a difference
By withstanding the indifference
I guess it's up to me now
Should I take that risk or just smile?

What do you know
It happened again

What do you know

Kings of Convenience
Album : Riot On an Empty Street

MISREAD

Ai.. ai...
Traz-me à memória determinadas recordações...
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quinta-feira, outubro 14, 2004

POESIA II

José luis peixoto
Fingir que está tudo bem
fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido

com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.
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segunda-feira, outubro 11, 2004

SER PORTUGUÊS

Um amigo meu brincou comigo, dizendo que eu só sabia escrever sobre o amor.
Ora bem , se eu não escrever sobre o amor, vou escrever sobre o quê? Vivo num país com a cultura do qual não me identifico. Eu não me importava de ter nascido neste cantinho da Europa, mas o problema é que nasci com cinco séculos de atraso. Neste século irrita-me viver aqui. Vivo numa sociedade na qual não me encaixo. Sou anti-social. Não sei discutir a quinta das celebridades, não gosto de ir passar férias para o Algarve e recuso-me a trocar comentários sobre doenças como quem troca cromos repetidos (desporto nacional favorito, para além da coscuvilhice alheia).
Sou anti-social. Por isso, haveria de falar sobre o quê? No meu mundo, pelo menos há a ilusão de que posso ser feliz num país que liga tão pouco à cultura, aos seus escritores, aos seus artistas, à sua história...
Com o fim da dinastia de Avis, assim se acabou o Portugal onde gostaria de ter vivido...
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sexta-feira, outubro 08, 2004

Eu e o Amor ... O Amor e Eu...

Eu necessito de estabilidade. O amor torna-me insegura.
Eu aprecio a liberdade. O amor aprisiona.
Eu anseio ter controlo. O amor descontrola-me (e quanto....)
Eu adoro ser eu. O amor faz-me ser outra... Pensar no outro...
Eu gosto de certezas. O amor é incerteza.


Estou insegura, perdi a espontaneidade (nunca sei o que dizer ou fazer).
Não consigo voar (sem ti, as minhas asas são de vidro).
Não tenho controlo sobre as minhas emoções, pensamentos e atitudes.
Adormeço a pensar em ti, acordo a pensar em ti.

E asssim vou vivendo na esperança de que a incerteza do futuro seja melhor que a certeza de estar tão distante de ti no presente.
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quinta-feira, outubro 07, 2004

O tempo...

Vivemos num tempo dos homens... Nós definimos, nós delimitámos e nós aprisionámos o tempo.

Medimos a qualidade da nossa vida pelo tempo que dedicamos a determinada tarefa. Catalogamos as nossas relações pelo tempo que elas duram (do tipo: 'Eu gostava muito dele(a), pois estivemos juntos três anos' ??!!).. Como se a amizade (..o amor...) se pudesse confinar a um período de tempo... Há pessoas que vivem toda uma vida com outra, e no final pensam 'afinal nunca o conheci'. As pessoas não são seres estanques, o conhecimento que temos do outro não se esgota num determinado período de tempo padrão. As pessoas são sistemas, estão sempre a evoluir... Quanto tempo é muito: um mês, um ano, dois, três?...

Por isso, quando se trata de avaliar um AMOR, eu costumo pensar que meço o tempo não num tempo dos homens, mas num tempo de Deus... Por vezes descobre-se tanto em tão pouco tempo.. Em poucos meses... Quando chegar o meu verdadeiro amor, eu saberei logo no primeiro instante se é com aquela pessoa que quero passar o resto da vida... (Sempre fui utópica)
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quarta-feira, outubro 06, 2004

POESIA

Hum...
Segue um poema de Vinicius de Moraes que, embora não tenha sido escrito por mim, ilustra bem o meu estado de alma :-)***


SONETO DE FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Estoril - Portugal, 10.1939
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A triplicidade do amor

Muitas vezes dou por mim a pensar no amor (vezes demais...).
Uma vez um amigo meu disse-me que não é possível duas pessoas amarem ao mesmo tempo, simultaneamente. Eu concordo com ele (desilusões de amor?).. Concordo, mas talvez não pelos mesmos motivos.. É que, para mim, o amor é algo complicado, complexo. Senão vejamos a minha linha de pensamento...

O amor verdadeiro (ou o verdadeiro amor), na minha opinião, é um equilíbrio entre três energias:

AMOR AMIZADE PAIXÃO

Sem a existência destes três aspectos não se consegue alcançar o amor pleno entre duas pessoas. A paixão é de um nível mais básico, mais crú e significa o amor mais terreno, a atracção física que faz explodir emoções de foma descontrolada. Já a amizade possui uma natureza mais refinada, embora seja da mesma essência que o aspecto anterior. Simboliza o amor pela mente, pelo raciocínio da outra pessoa. O amor contém em si um conhecimento do outro mais profundo, pois aqui já amamos de forma mais espiritual (o conteúdo, o eu mais íntimo do outro).

E enquanto eu fico à espera da conjungação de tudo isto, outros amores vão passando por mim ...
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segunda-feira, outubro 04, 2004

Os SE do meu dicionário

A palavra "Se é daquelas que eu definitivamente risquei do meu dicionário.
Se tivesse feito isto, agora... Se tivesse dito aquilo, talvez... Se.. Se .. Se...

E no final, o que existe é apenas o que fizémos, o que dissémos, as opções que tomámos. E nem essas existem, pois pertencem ao passaso. Num mundo de hipóteses, resta-nos apenas o momento presente.

Por isso, muitas vezes (quantas..) dou por mim a pensar "ainda bem!" que risquei os SE do meu dicionário. Nesta altura poderia estar a viver num qualquer outro ponto do planeta, mas não teria conhecido os amigos maravailhosos que tenho (aqui e agora).. Todas as pessoas lindas que cruzaram os seus caminhos com os meus (as outras nós esquecemos que existiram, pois que outra coisa não merecem)...

(Quantos sorrisos entrelaçados nos olhares cúmplices que eu teria perdido num SE...)


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