quarta-feira, dezembro 29, 2004

ADEUS 2004!

Confesso que me deram o que pedi: eu quis as mentiras com que me deitei. Fui superficial e mascarei-as de amor. Iludi-me e não deveria ter vacilado a um mundo que não é o meu
(... O das aparências...).
Nele habitam as pessoas que dizem o que queremos ouvir.
E está bem para quem é crente, mas eu nunca partilhei essa religião. Tenho as minhas leis, os meus dogmas e sei que me distraí do que sou.
Ofertam-me mentiras divinas.
E eu recuso porque sou apenas humana.
Aqui deixo o meu perdão. A mim e a essas pessoas (as que conheço e as que hão-de vir).
Dizem-me que não sobrevivo porque sou fraca.
Mas nunca serei forte porque não quero resistir a sentir.
Amo com tudo o que sou e tudo o que amo é.
Não me peçam para ser mais do que isto.
Aliás, não me peçam nada... (Nem me dêm o que peço...)
Deram-me o que eu quis, mas não o que preciso.
Existem pessoas que, para se fazerem amadas, constroem um mundo de fantasia à sua volta. Tecem uma mortalha de mentiras para se aquecerem da sua frieza interior.
Em 2005 as pessoas que venham nuas...
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terça-feira, dezembro 28, 2004

VERDADES ESPELHADAS

Agradece, amor. Agradece.
O passado tinha-nos
Presos a uma dúvida.
À hesitação. A uma promessa.
Ao teu remorso. À minha curiosidade.
Agradece agora, amor. Agradece.
A certeza de que não sou o que precisas.
Foi o que foi. E assim tinha de ser.
E somos o que somos.
E não o que poderíamos ser.

Agradece, amor. Agradece.
Sou o espelho do que és:
As tuas verdades.
Agradece. Não me quereres
E será sempre real a tua ilusão.
Há espelhos para o que queres ver:
Os reflexos do que gostavas de ser.
Agradece, amor. Agradece.
Tu és aquele que merece
Esses outros espelhos que te dão

Agradece, amor. Agradece.
Nas profundezas das tuas verdades
Há monstros negros e medonhos
Não me culpes por lhes ter dado vida,
Pois o pesadelo não sou eu.
Sou apenas o espelho do que é teu
E são tuas as garras dilacerantes de sonhos.
Agradece, amor. Agradece.
A superfície das mentiras
Ser cómodo refúgio para a cobardia!



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segunda-feira, dezembro 27, 2004

PONTO FINAL. PARÁGRAFO


Nunca tive espaço para a dor.
Quer dizer, choro sempre no final
De todas as histórias de amor,
Mas isso não é nada de especial.

Um dramazinho sempre dá sabor
“Vou morrer, não me deixes, coisa e tal”
Era giro dar-lhe mais valor,
Mas, como vês, não morri afinal.

É que a história de Isolda e Tristão
O tempo de Abelardo e Heloísa
(Suspiro) ... Ser Julieta e Romeu

Só têm piada porque são de ficção
Na vida real, o que se precisa
É de saber que: se não deu, não deu.

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quinta-feira, dezembro 23, 2004

AS PALAVRAS DOS SILÊNCIOS

Amor, eu pedia
Que os teus silêncios
Procurassem
No verde dos meus olhos
A purificação da dor
E neles havia o amor
Que absorvia
Repartia
O vazio
Que esvaziavas de ti.

Amor, eu reflectia
No espelho límpido
Do verde dos meus olhos
O negro dos teus dias
E as palavras
Que não me oferecias
Eram apenas distantes
Sombras suplicantes
Dos silêncios
Que eram promessas

Amor, eu desconhecia
Que com os silêncios mordias
A alma que era tua
Corroias
Vestias
Enquanto que com as palavras
Incendiavas
Desnudavas
Um corpo que não era meu
A quem davas o que eu queria

Amor, eu não sabia
Não sabia
Que os silêncios
Eram o que melhor te definia:
Um nada.
Um silêncio.
Amor, hoje não é com poesia
Mas com silêncio que te respondo:
“Quem te come a carne,
Que te roa os ossos!”

ESQUECE-ME!
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quarta-feira, dezembro 22, 2004

MONÓLOGO A DOIS

Ela:
Meu amor, é forçoso dizer-te que eu já sabia
que nos iríamos encontrar...
Era inevitável ...
Meu amor, é forçoso dizer-te que eu já sabia
que me ias partir o coração.
Era inevitável...
Meu amor, não se ama em simultâneo...
É inevitável...

Ele:
Olha, quero que saibas que eu pretendia
afastar-me e não aproximar-me ainda mais
Era evitável...
Olha, quero que saibas que eu pretendia
não pisar o que estava caído no chão
Era evitável...
Desculpa.
Sou evitável...

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terça-feira, dezembro 21, 2004

FIM EM MIM. PRINCÍPIO EM TI

Vitrificaste.
E com um sopro
quebraste.
Os estilhaços
no chão,
sem direcção


Não te mexas.
Magoas-te
Magoas-me.
Abre os olhos
Vê se há estilhaços no ar
Dói-me a alma.
O corpo.
Atingiste-me?


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terça-feira, dezembro 14, 2004

X - LAVA

E AO ANOITECER
Al Berto

E ao anoitecer
adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia


Um dia disseste que corriam em ti correntes pirosclásticas...
(E eu a pensar em vulcões.
E eu a pensar em vida.
E eu a pensar em nós...)


Nessa altura eu não sabia que a lava que se expele foi gerada em actividades anteriores.
E que o que sai de um vulcão são fragmentos vítreos, já sem vida...

(Cinzas frias...
Silêncio e melancolia)
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IX- A PONTE

Somos dois seres estranhos e sós
Sozinhos vivemos. Sós desvendamos
Os sons que gritamos a uma só voz
No dialecto que os dois inventamos.

Que clarão foi aquele? Veio de nós
A chama onde só nos queimamos
Sem suspeitar o que haveria após?
Sozinhos chegamos. E sós ficamos.

Silêncio? A fogueira já não arde?
Ou encontramo-nos mais tarde?
À sombra dos eucaliptos esguios

No local da ponte antiga que ruiu
Aquela que outrora existiu e uniu
Dois seres sós, mudos e frios.


Há uma ponte que une duas pessoas, no amor, na vida e nos sonhos...

A minha ponte aparece em dias de Sol, quando estou longe em dias de chuva.
E eu, apressada, regresso. E descubro que chove agora aqui e faz Sol no local onde eu estava...

E nestes percursos olho para o ceú, à procura de um arco-íris (não deveria existir um arco-íris na fronteira dos meus mundos?)...

(Não o encontrei... Ainda)
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sexta-feira, dezembro 10, 2004

VIII - Ilusões

Cruzámo-nos,
trocámos olhares
cúmplices,
entrelaçámos os
nossos sorrisos
e deixámo-nos
ficar num abraço eterno…

Ou sonhei?
Não espero mais por quem nunca esteve...
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quinta-feira, dezembro 09, 2004

VII - Ausências


Se em ti conténs
apenas a desilusão,
porque me povoaram tantos sonhos?


Se o mais que me trouxeste
foram as ausências,
porque me acostumei à tua presença?

Se tudo o que vivemos
foi um segundo
porque me sinto tão envelhecida?

Passaram assim tantos anos?
Não, passou a vida inteira:
Ele era a vida que existia em mim.





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sexta-feira, dezembro 03, 2004

POESIAS VI

DISTANTES NA PROXIMIDADE

Há horas que passamos distantes
Distantes das horas que passámos
Tão próximos, tão tangentes…

Há momentos que visito agora
Nos momentos em que nos amámos
Tão breves, tão urgentes…

Há horas, há momentos e há estrelas
Contidos numa vida em que acreditámos
Tão luminosos, tão cadentes
(desprevenidos e imprudentes)



O amor é um desencontro...

Um ama, o outro não...
Os dois amam-se, a altura não é certa....









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