terça-feira, dezembro 28, 2004

VERDADES ESPELHADAS

Agradece, amor. Agradece.
O passado tinha-nos
Presos a uma dúvida.
À hesitação. A uma promessa.
Ao teu remorso. À minha curiosidade.
Agradece agora, amor. Agradece.
A certeza de que não sou o que precisas.
Foi o que foi. E assim tinha de ser.
E somos o que somos.
E não o que poderíamos ser.

Agradece, amor. Agradece.
Sou o espelho do que és:
As tuas verdades.
Agradece. Não me quereres
E será sempre real a tua ilusão.
Há espelhos para o que queres ver:
Os reflexos do que gostavas de ser.
Agradece, amor. Agradece.
Tu és aquele que merece
Esses outros espelhos que te dão

Agradece, amor. Agradece.
Nas profundezas das tuas verdades
Há monstros negros e medonhos
Não me culpes por lhes ter dado vida,
Pois o pesadelo não sou eu.
Sou apenas o espelho do que é teu
E são tuas as garras dilacerantes de sonhos.
Agradece, amor. Agradece.
A superfície das mentiras
Ser cómodo refúgio para a cobardia!



6 Comments:

Blogger eLP said...

"somos o que somos e não o que poderiamos ser"...
e aí reside a beleza do nosso inconformismo. Não somos, mas gostariamos de o ser...

12:15 da tarde  
Blogger CA said...

Sem tempo para me perder, para já gostei do que aqui encontrei.
Voltarei.

3:41 da tarde  
Blogger Caliope said...

el P:
Inconformados sim. Sempre. Mais. e mais...
Falsos não. Nunca. Dispenso.
Não há sonho que justifique a mentira...
_____________________
CA:
Beijinho. Obrigada pelo "passeio"

5:44 da tarde  
Blogger Miss Kafka said...

Penso para mim própria que nada aparece por acção de outrém, a não ser que sempre lá tenha estado.. Abraço,

1:19 da manhã  
Blogger Marta said...

Verdades que custam dizer e que certamente que custam ouvir... Beijo

9:25 da manhã  
Blogger Caliope said...

Miss Kafka:
Concordo com as tuas palavras. Ninguém nos fará felizes se não tivermos essa felicidade dentro de nós.
Um beijo

1:19 AM
Marta:
A verdade não me custa nem dizê-la, nem ouvi-la.
A mentira sim. ;-)
Beijinho

1:49 da tarde  

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